
Há qualquer coisa que me está a escapar. Todos os anos a Câmara Municipal de Sintra organiza feiras de época, seja para comemorar o feriado municipal (hoje), seja para dinamizar o espaço público com actividades. Acontece que os anos têm passado, e os feirantes/artistas que cospem fogo, fazem malabarismo, se mascaram ou assam o porco-espinho à «moda medieval», são na sua maioria – larguíssima maioria – espanhóis. Será que não há em Portugal empresas de eventos que cubram este nicho? É que quando visito uma destas feiras não espero encontrar tudo quanto é cartazes ou etiquetas escritas em castelhano. Estarei num El Corte Inglés medieval?
A carência de oferta é tal, que numa aldeia historicamente romana, a Câmara Municipal de Sintra lembrou-se – e muito bem – de organizar uma feira romana. Óptimo! Feira romana nunca tinha visto por estas bandas. Mas espera lá, são novamente espanhóis tal como a feira medieval?! Espanhóis tal como a feira árabe?! Os espanhóis legendários e gladiadores do costume?! E agora, numa feira romana, totalmente diferente de todas as outras feiras, novamente espanhóis?!

Com a aproximação, apercebo-me da elevada actividade militar no recinto – passa por mim um grupo de soldados romanos – momento em que aprecio espanhóis a falarem latim. Sem que isso me detenha, penetro (adoro esta expressão) pela feira dentro. Qual não é o meu espanto quando me apercebo que a dita feira romana não é assim tão romana, pois sou surpreendido pelos… árabes! Árabes? O que fazem os árabes com aquelas tendas do costume na novíssima feira romana? Será uma invasão?! E como se isso não bastasse, em plena feira romana, oiço música árabe electrónica! É neste momento que me sinto envolvido pela mística da feira e em vez de ser levado para a época que pretendem retratar, sou levado para merda nenhuma.
Nesta «feira romana» apercebi-me de pelo menos duas barraquinhas portuguesas: um casal de artesãos que fazia uns bonecos em barro semelhantes aos Pinipon e um vendedor de remédios para as «dores nos ossos». E claro, a venda do Turron de Alicante – produto tipicamente romano – corria às mil maravilhas. Valha-me o remédio para as «dores nos ossos».
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