
Devido aos condicionalismos que surgem na vida, nem sempre estamos com os amigos o tempo ou as ocasiões desejadas. Mas quando o fazemos, no mínimo, tentamos pôr a conversa em dia. Eu na verdade sou um fala-barato, mas de modo a não aborrecer o interlocutor convido-o para uma caminhada – se tiver bom tempo, obviamente.
Fazemos quilómetros pelos montes, atravessamos pinhais e eucaliptais, deparamo-nos com colmeias, com animais a pastar e um moinho em ruínas. O percurso é grande o suficiente para se falar de tudo e mais alguma coisa, e como já se tornou habitual, já me aparecem em casa equipados a rigor. Hoje foi um desses dias.

A compra do livro do Luís Castro já andava sucessivamente a ser adiada há algum tempo, dado que em Sintra não havia local onde o pudesse encontrar. A encomenda online poderia ser uma solução, mas chamem-me conservador, eu cá gosto de ver e mexer naquilo que pretendo comprar. A oportunidade de o adquirir acabou por surgir ontem, quando me desloquei ao CascaiShopping para aproveitar os saldos.
Entro na Bertrand, dou uma volta à loja e apercebo-me que na zona onde deveria constar o Repórter de Guerra, não há qualquer exemplar. A funcionária após consulta ao computador confirma isso mesmo, e adianta que a única Bertrand na região com o livro é a Bertrand das Amoreiras. Decido tentar na Fnac, seguindo em passo acelerado por aqueles corredores que para a minha ansiedade se revelavam demasiado longos. Abordo uma funcionária, e eis que o computador (esse maravilhoso electrodoméstico) revela que naquela imensidão de livros existe um e só um exemplar do Repórter de Guerra. Por isso, se optarem pelo CascaiShopping, esqueçam, pois eu vim de lá com o último exemplar.
Comecei a lê-lo na noite passada. Podia ser um livro virado unicamente para a miséria mas o Luís soube manter o equilíbrio e adicionou momentos únicos de humor. O prefácio é de José Rodrigues dos Santos, que revela um episódico caricato, quando no Iraque o Luís deixa os americanos em pânico no momento em que surge acompanhado de dois israelitas.
O mais difícil deste livro é mesmo parar de ler. Torna-se de tal modo empolgante a leitura, que só me apetece devorar aquelas páginas umas a seguir às outras. Foi assim na noite passada, em que tive de travar a fundo para poder saborear aqueles momentos vividos em plena selva angolana. À medida que a leitura se desenrolava, cada vez mais me imaginava no local com umas «calças estilo coronel tapioca».
Neste livro, o Luís partilha inclusivamente o que aprendeu na guerra. Ficamos a saber, por exemplo, que junto de uma peça de artilharia o melhor mesmo é ficarmos de boca aberta, e que a melhor água para beber é a que tem bicho.
«Não escolhi palavras bonitas para embelezar o texto. É meramente factual. O que aqui está, aconteceu. Mesmo. Sou contra as fantasias.» Luís Castro
Contar a verdade mesmo que isso lhe custe a própria vida: é esta a missão assumida por Luís Castro. De Cabinda a Timor, da Guiné ao deserto iraquiano, o jornalista vestiu o papel de repórter, que lhe deu, mais do que glória e fortuna, a possibilidade de ter estado onde se escreveu a História.
Das suas mãos chegaram mais de quatrocentas reportagens a Portugal, acompanhadas de imagens que valem tanto como as palavras que redigiu e que o colocaram no centro de tantos conflitos armados. Luís Castro reviu blocos de apontamentos, visionou mais de mil horas de imagens em bruto, transcreveu diálogos e falou com os repórteres de imagem que o acompanharam em cada momento.
Mas este livro é muito mais do que o fruto de um trabalho minucioso. É um percurso de um homem de coragem que mesmo nas piores situações não virou a cara à luta e sobreviveu para a contar. Recusando artificialismos e rodeios, registou os factos. Aqui está o que (lhe) aconteceu. Sem tirar nem pôr.
E agora, se não se importam, vou ler.
Vítor Sá é um amigo descoberto num fórum sobre o meio rádio. Já lá vão uns aninhos. Foi o responsável pela minha experiência no meio, dado que persistentemente tentava persuadir-me. E de facto conseguiu!
O trabalho do Vítor é de respeito na Rádio Trofa (107.8 FM – Grande Porto e Litoral Norte, e online para todo o mundo). Não há por aí muitos programas de rádio que atinjam a fasquia dos 10 anos de emissão.
O BIFE RadioShow vai para o ar todos os domingos entre as 22 e as 24 horas. Do cocktail musical fazem parte: a electrónica, o jazz, o soul, o funk, a world music, o drum’n’bass e o hip hop. Mas contém também com especiaria cultural, nomeadamente: teatro, literatura, djing, dança, cinema, exposições, moda, crónicas, manifestações, direitos humanos, ecologia e tudo aquilo que as rádios cinzentas nem sonham que existe!
Parabéns amigo! E que venham muitos mais anos de emissões, nessa ou em qualquer outra rádio que reconheça o teu valor.
O vídeo que vos trago – cuja divulgação foi devidamente autorizada – mostra o ambiente na régie durante o final do Telejornal, em que a coordenação esteve a cargo do meu amigo Luís Castro. Fiz questão de o publicar porque sei que as pessoas têm alguma curiosidade em saber o que se passa nos bastidores. Acho que isto não tirará nenhuma mística que exista. Eu pelo menos passei a ver o Telejornal com mais entusiasmo.
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