Muitas são as conspirações de que os Estados Unidos nunca teriam ido à Lua. No entanto, o Miguel Guerreiro chegou a uma conclusão que revela bastante lucidez: «Os EUA estavam numa guerra com os Soviéticos, a chamada Guerra Fria. Isto é importante porque uma das características desta guerra foi a espionagem. Se os americanos tivessem feito um embuste não teriam os espiões do KGB dado com a fraude? Os próprios cientistas soviéticos não analisaram com tudo o que tinha e não tinham cada uma das imagens, e cada um dos frames do vídeo?» Nem mais! Acho até que essas conspirações são um sinal de como nós, os ocidentais, desde a Guerra Fria que temos desvalorizado o que actualmente se designa por Federação Russa. É um erro que vamos pagar caro.

A quem desvaloriza aquilo que se passa no conflito georgiano é bom que comece a acordar para vida, pois caso não se tenha dado conta, para além de neste momento estar envolvida a Rússia e a Geórgia, o assunto começou neste momento a tocar a todos os membros da NATO, o que inclui obviamente Portugal. Esta é apenas a primeira vez que a Rússia usa o seu poder militar de forma intensa fora do seu território, precisamente desde o final da Guerra Fria.
Ironia do destino, George Bush quebrou o compromisso assumido pelo seu pai com Mikail Gorbachev, o de nunca expandir a NATO para além da Alemanha. Praticamente toda a Europa de Leste tem vindo a colar-se às instituições que têm sido o garante da paz nesta região do globo: a União Europeia e a NATO. Como se isso não bastasse, actualmente a administração americana encontra-se a pressionar para que mais dois antigos estados soviéticos se juntem à NATO. Refiro-me à Ucrânia e à Geórgia. Assim, em caso de confronto com a Rússia, para além dos Estados Unidos, toda a Europa estará envolvida.
O presidente georgiano, com aquele ataque igualmente desproporcionado à Ossétia do Sul, revelou o desastre que é a estratégia de Tbilissi, acabando por estupidamente abrir caminho às pretensões russas: primeiramente, enviar uma mensagem clara a todos os quantos se juntam à política externa americana, nomeadamente a Europa e os antigos estados soviéticos, mostrando que está de volta com os meios militares e políticos necessários a um confronto em larga escala; controlar aquela região do Cáucaso, tornando praticamente improvável a recuperação das regiões separatistas por parte da Geórgia; tornar a Geórgia instável de modo a impedir a sua entrada para a NATO; dividir profundamente a Europa, notando-se até na última reunião da NATO os efeitos dessa divisão com alguns países a refugiarem-se em acordos unilaterais que mantêm com a Rússia; e por fim, abalar a credibilidade dos Estados Unidos que com os seus meios militares dispersos em variados conflitos, não teve meios para proteger um dos seus aliados.
Perante isto, concluo que o escudo anti-míssil a instalar na Europa não visa a protecção dos Estados Unidos, mas sim da própria Europa. E agora que penso melhor no assunto, porque motivo iria Washington instalar um sistema de protecção destes na Europa, se o poderia fazer em pleno Oceano Atlântico tal como já fez no Oceano Pacífico. Na verdade, sem que as pessoas se apercebam, tal como no passado, a espionagem deverá ter-se intensificado. Oxalá esteja errado, nunca se saberá em concreto quando começará uma grande guerra, até pode ser agora. Pelo menos as condições estão reunidas.

Com a garantia de lealdade à Federação Russa, a Geórgia controlava as rebeliões na região e recebia apoio militar. Esta era pelo menos a predisposição de Moscovo. No entanto, em 1999 com a crise na Chechénia, a Geórgia é acusada pela Rússia de traição por fornecer apoio militar aos rebeldes chechenos.
A Ossétia do Sul é uma região separatista que se encontra no norte da Geórgia, na fronteira com a Rússia. Em 1991, quando a Geórgia se torna independente da Rússia, lança uma ofensiva militar contra a Ossétia do Sul. Como por essa altura as relações entre Tbilissi e Moscovo eram favoráveis, a Rússia torna-se mediadora do conflito. No entanto, tendo essas mesmas relações azedado em 1999 devido ao conflito checheno, quando a Geórgia tentou há dias nova investida entrando em território osseta, desencadeou esta intervenção russa em socorro dos rebeldes ossetas.
O que torna este conflito perigoso é o envolvimento dos Estados Unidos. O seu posicionamento ao lado da Geórgia só irrita ainda mais os russos, dado que os russos também se opõem ao sistema anti-míssil americano a instalar na Europa. Os russos acreditam que este sistema anti-míssil visa unicamente a Rússia e sentem-se humilhados pelos Estados Unidos, querendo neste conflito mostrar que para além de uma velha potência, ainda têm poder suficiente para intervir militar e politicamente na sua região envolvente. É o regresso deste frente-a-frente entre os Estados Unidos e Rússia que leva a que paire no ar, novamente, um ambiente de Guerra Fria. A Geórgia tem petróleo e gás natural, daí que outros interesses estejam envolvidos no conflito. Por outro lado, com o desejo da Geórgia em se aproximar do ocidente, é um interesse dos Estados Unidos garantirem um aliado naquela região, que se enfaixa entre a Rússia e o Irão.
Júlio Cortez, investigador de história local, leva-nos a conhecer neste vídeo três monumentos com muita história mas que passam despercebidos à maioria das pessoas: um plátano com 150 anos; uma ponte medieval por onde passavam almocreves entre o Concelho de Sintra e o extinto Concelho de Belas, cuja construção foi preparada para resistir a enxurradas e que lhe permitiu resistir durante séculos até aos dias de hoje; e por fim um sino com 540 anos, certamente um dos mais antigos do nosso país.
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