
A chuva abundante, o frio, a neblina densa que de noite reflecte a luz dos candeeiros… São estes Invernos que preparam a vegetação para o Verão. E quando saímos dessa escuridão e do cinzentismo, as fachadas velhas e as flores surgem como em raros sítios se vê. Sintra tanto é bonita de Inverno como de Verão. Esta paisagem em que tantos escritores e pintores se inspiraram, bem podia inspirar também os que cá moram, e acabar de vez com a estupidez saloia e com a mesquinhez característica das gentes desta terra, que aliás, na literatura que tantos querem romantizar, está bem patente como «gente rude que cospe para o chão».

Por entre tantas notícias onde o património edificado e os tesouros naturais da Serra de Sintra são votados ao abandono, chegando a um elevado estado de degradação, gostei de saber que voltou a erguer-se a Cruz Alta no seu ponto mais elevado (528 metros), já que em 1997 foi destruída por um relâmpago. Mesmo assim, já não se tratava da original edificada por volta de 1522 sob as ordens de D. João III, mas sim de uma réplica mandada colocar por D. Fernando II após a primeira ter sido destruída por um temporal. Em data desconhecida, um inteligente terá reforçado a cruz com uma estrutura de ferro, sendo essa a causa provável da sua destruição em ‘97. A nova réplica é feita a partir das formas da original e dos fragmentos existentes, num bloco de calcário único, com 3,5 metros de altura, 1,5 metros de largura e um peso aproximado de 1 700 quilos. [+ info]
A Feira Romana marcou o início da «Rota das Feiras», uma iniciativa da Câmara Municipal de Sintra. E com o passado fim-de-semana dedicado à Feira Romana, este por sua vez dedica-se à Feira Medieval com o seu término no próximo Domingo. Nesta feira o visitante encontrará: música, malabarismo, gastronomia, teatro, artesanato e artes circenses. Poderão visitá-la em S. Pedro de Sintra, no Largo D. Fernando II, com horário das 15h00 às 23h30.
O que achei mais porreiro não foi o espectáculo de fogo que o vídeo mostra, mas antes as duas armaduras medievais que se encontravam à venda numa das bancas. São excelentes objectos de decoração. E ambas já se encontravam vendidas.
Para além destas duas feiras, estão ainda previstos torneios medievais a cavalo nos dias 12 e 13 de Julho entre as 15h00 e as 20h00 no centro histórico de Sintra (frente ao Palácio Nacional de Sintra); e mais uma feira, desta feita uma Feira Setecentista, entre 25 e 27 de Julho, no largo do Palácio Nacional de Queluz, com o seguinte horário: sexta-feira realiza-se das 17H00 às 23H30, já no sábado e no domingo realizar-se-á das 15H00 às 23H30.

Há qualquer coisa que me está a escapar. Todos os anos a Câmara Municipal de Sintra organiza feiras de época, seja para comemorar o feriado municipal (hoje), seja para dinamizar o espaço público com actividades. Acontece que os anos têm passado, e os feirantes/artistas que cospem fogo, fazem malabarismo, se mascaram ou assam o porco-espinho à «moda medieval», são na sua maioria – larguíssima maioria – espanhóis. Será que não há em Portugal empresas de eventos que cubram este nicho? É que quando visito uma destas feiras não espero encontrar tudo quanto é cartazes ou etiquetas escritas em castelhano. Estarei num El Corte Inglés medieval?
A carência de oferta é tal, que numa aldeia historicamente romana, a Câmara Municipal de Sintra lembrou-se – e muito bem – de organizar uma feira romana. Óptimo! Feira romana nunca tinha visto por estas bandas. Mas espera lá, são novamente espanhóis tal como a feira medieval?! Espanhóis tal como a feira árabe?! Os espanhóis legendários e gladiadores do costume?! E agora, numa feira romana, totalmente diferente de todas as outras feiras, novamente espanhóis?!

Com a aproximação, apercebo-me da elevada actividade militar no recinto – passa por mim um grupo de soldados romanos – momento em que aprecio espanhóis a falarem latim. Sem que isso me detenha, penetro (adoro esta expressão) pela feira dentro. Qual não é o meu espanto quando me apercebo que a dita feira romana não é assim tão romana, pois sou surpreendido pelos… árabes! Árabes? O que fazem os árabes com aquelas tendas do costume na novíssima feira romana? Será uma invasão?! E como se isso não bastasse, em plena feira romana, oiço música árabe electrónica! É neste momento que me sinto envolvido pela mística da feira e em vez de ser levado para a época que pretendem retratar, sou levado para merda nenhuma.
Nesta «feira romana» apercebi-me de pelo menos duas barraquinhas portuguesas: um casal de artesãos que fazia uns bonecos em barro semelhantes aos Pinipon e um vendedor de remédios para as «dores nos ossos». E claro, a venda do Turron de Alicante – produto tipicamente romano – corria às mil maravilhas. Valha-me o remédio para as «dores nos ossos».
Todos os anos a banda da Associação dos Bombeiros Voluntários de Sintra, em forma de gratidão para com os seus associados, percorre a sua região operacional a pé. Há pouco estava na cama e pude ouvi-los ao longe. Como pensei que eles passassem aqui pelo bairro, rapidamente me levantei e preparei a máquina para fazer um pequeno filme para o blog. Mas enganei-me. Se tempos houve em que não falhavam, nos últimos anos nem sequer têm cá posto os pés, limitando-me a ouvi-los ao longe. É sinal dos novos tempos. Faz-se o mínimo possível, o mínimo exigível, que apesar de tudo não é nem um pouco satisfatório. Mas anda tudo assim, não é mesmo?
Júlio Cortez, investigador de história local, leva-nos a conhecer neste vídeo três monumentos com muita história mas que passam despercebidos à maioria das pessoas: um plátano com 150 anos; uma ponte medieval por onde passavam almocreves entre o Concelho de Sintra e o extinto Concelho de Belas, cuja construção foi preparada para resistir a enxurradas e que lhe permitiu resistir durante séculos até aos dias de hoje; e por fim um sino com 540 anos, certamente um dos mais antigos do nosso país.
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